Debate Político
20 Janeiro, 2012
11 Novembro, 2011
A copa, o tráfico e o mundo da fantasia
Um ministro de esporte demitido, um traficante muito procurado no Rio, uma ocupação programada, um jornalista morto e uma apresentação sobre segurança da copa do mundo na Alemanha. O que tudo isso tem em comum?22 Julho, 2011
Para além do maniqueísmo midiático e partidário (final)
Para Marx, o capitalismo destrói o futuro à medida que suga toda riqueza natural e a força de trabalho, “[...] pela exploração, aberta, cínica e brutal” (MARX, 2002, p. 28). Portanto, o crescimento do capitalismo gera a miséria do proletariado. Os marxistas mais atentos não são defensores incondicionais do progresso do sistema, pois as crises de superprodução se dão devido a “civilização em excesso, meios de subsistência em excesso, indústria em excesso, comércio em excesso” (MARX, 2002, p. 34). E como sabemos quem paga a conta dessas crises é a classe obreira.
Em nome do progresso e do crescimento os recursos naturais foram sendo solapados pelo capital, os exemplos dados pelas grandes potências vão na contra-mão do futuro e ameaçam as novas gerações. Isso se aplica, tanto para os que defendem a preservação visando a exploração da sua biodiversidade, quanto para os que apostam num país celeiro do mundo. Mesmo diante de tanta produção de alimentos a fome continua sendo um espectro que ronda o Brasil e o mundo. E por que isso ocorre? Primeiro, porque as áreas agricultáveis são usadas no plantation e o outro motivo é o caráter excludente do capitalismo.
Fazer a discussão no extremo das posições, tal como a imprensa quer, levando as forças partidárias ao acirramento não contribui para a solução dos impasses. Ou seja, se é verdade que o Brasil precisa desenvolver suas potencialidades atuais também deve preservar ao máximo as condições naturais para o futuro. O desmatamento acentuado nas margens dos rios compromete as fontes hídricas, recurso vital à humanidade. Isso é incontestável.
Independente da votação do código o debate sobre o tema deve perpassar as preocupações dos círculos de discussão entre os brasileiros, sem o maniqueísmo do bem e do mal. Não existe só ambientalista alinhado aos interesses antinacionais e nem apenas latifundiários descompromissados com o futuro interessados nessa discussão. As pessoas podem e devem opinar sobre o que acreditam ser o melhor caminho para o nosso país, pensando sempre na maioria da população hoje e amanhã.
21 Julho, 2011
Para além do maniqueísmo midiático e partidário (parte I)
Nas discussões recentes sobre o código florestal brasileiro o que mais se viu foi troca de acusações sobre quem está certo ou errado. Colocando-se de um lado os ambientalistas apaixonados e irracionais; de outro, os ruralistas desmatadores impiedosos.
Visto de outra forma, também poderia ser: os ambientalistas a serviço da indústria fina e farmacêutica internacional, fazendo de tudo para impedir que o Brasil domine grandes tecnologias e explore suas potencialidades agrícolas no momento atual. Afinal, o país hoje é um grande exportador e está sabendo aproveitar suas novas relações internacionais iniciadas sob o exitoso governo Lula. As mudanças no código, portanto, beneficia um enorme contingente de médios e pequenos produtores, sem excluir os grandes, é claro. Pois à medida que ele flexibiliza fronteiras, possibilita uma maior produtividade.
Nos últimos anos o Brasil honrou seus compromissos internacionais, abriu novas rotas de comércio, elevou o PIB, distribuiu mais sua renda e tornou-se respeitado no mundo. Longe, da submissão diplomática e comercial, típicas do período FHC, o país vai se firmando como nação verdadeiramente soberana. Internamente, estamos nos livrando de algumas dívidas sociais e debatendo outras. As desigualdades regionais continuam, mas foram dados passos no sentido de fortalecer as economias mais frágeis, vilipendiadas durante séculos para manutenção das elites centrais. A massa salarial, a partir do mínimo, vem aumentando. Tudo isso é inegável, mas não justifica o maniqueísmo presente nas discussões sobre o código florestal.
Se tomarmos a história como referência – o que nesse caso é imperativo – veremos que todos os grandes ciclos de crescimento foram sucedidos de depressões, com aprofundamento das contradições sociais. Isso se dá porque nos sistemas de exploração, como é o nosso, o fruto do crescimento é distribuído incorretamente. O capitalismo tem como marca principal a exclusão econômica. Portanto, ter a ilusão de que o crescimento econômico vivido nos marcos do regime é garantia de desenvolvimento humano é negar a essência do mesmo. Tais entendimentos são necessários para discutir a questão ambiental sem paixões.
É verdade que há muito as empresas estrangeiras financiam “ecologistas”, “missionários”, “pesquisadores” e Organizações Não Governamentais (ONG) de toda espécie para explorar riquezas naturais em diversos países. Assim como também é verdade que a biopirataria se traveste de defensora da natureza. Todavia, precisamos distinguir os falsários daqueles que realmente estão preocupados com um futuro sustentável. Não dá para colocar na mesma bacia ONG’s vendidas e cientistas brasileiros sérios. Entretanto, também não devemos impedir que os pequenos agricultores sejam beneficiados com ações do Estado por conta das malversações dos latifundiários sócios do poder.
03 Janeiro, 2011
Desejos
Desejo a você |
09 Dezembro, 2010
Adolescência perdida
O resultado da pesquisa organizada pela Unicef, sobre adolescentes vítimas fatais da violência, revela que existe um longo caminho a ser percorrido para que nossa juventude tenha um futuro melhor.É importante dizer que a campanha subliminar da Rede Globo, em programação do horário nobre para redução da imputabilidade de menores, não precisa mais ser veiculada, pois os jovens menores de 18 anos já estão pagando, inclusive com a vida, infelizmente, o seu envolvimento com o ilícito.
Foz de Iguaçu/PR é o município recordista em homicídios contra adolescntes com idade entre 12 e 18 anos (11,75 por grupo de mil habitantes). Porém, Pernambuco não ficou distante.
Segunda a pesquisa, Olinda e Recife são as 3ª e 4ª colocadas, respectivamente, nesse quisito.
O problema é que o fato é encarado como caso de polícia e não como questão social. O governo do estado, por exemplo, manda para dar entrevista, técnicos da SDS, demonstrando a visão sobre o assunto. E a delegada fala (ao vivo) que a situação de pobreza não é condicionante para o envolvimento na criminalidade (entrevista no Bom Dia PE - 09/12/2010). Em que planeta ela está? Não precisa ser expert em segurança ou em desenvolvimento social para perceber pelos quatro cantos das cidades a condição em que muitos jovens sobrevivem. Se essa condição não os leva ao crime, o que será?
A colocação nacional das cidades pernambucanas é preocupante e põe à nu a realidade vivida pelos jovens daqui. Remete a necessidade de implementação de políticas públicas urgentes e permanentes para esse segmento da sociedade. Antes que seja muito tarde!
13 Outubro, 2010
1939 e 1968 precisam terminar!
Um retorno ao terror e às perseguições ideológicas, marcam essa campanha presidencial.Os ereges, os subversivos e os comunistas "devoradores de fígado de criancinhas", precisam ser eliminados - diziam os golpistas sob o comando de Médice no fim da década de 1960. Pois bem, esses tempos voltaram.
O aborto ou a aceitação da pena de morte tem algo em comum? Não! A não ser pelo fato de discutir genericamente o direito a vida. A hipocrisia faz com que, os que condenam o primeiro aplaudam o segundo. Aos religiosos e fervorosos a que se perguntar: não seria mérito de DEUS tirar ou colocar a vida na terra? Por que, então, posição dúbia nos dois fatos? Resposta: a hipocrisia não permite uma mesma postura.
A lei brasileira, já prevê em que situações a interrupção de gestação pode ser procedida: quando coloca em risco a vida de mãe e filho; quando acontece estupro e violência sexual contra menores, etc. Por que se está discutindo finalmente a adoção de leis sobre o assunto?
O caso da menina pernambucana de nove anos de idade, que engravidou depois de vários atos de violência contra seu corpo, praticados por um monstro que convivia com ela, é emblemático. Lembram, a posição do então arcebispo de Olinda e Recife? Não excumungou o estuprador, mas a mãe que permitiu e o médico que fez o procedimento, sim. Quem deveria ir para o inferno? D. José mandaria as pessoas erradas.
Há 21 anos o Brasil de Ronaldo Caiado, representante dos latifundiários na corrida presidencial da época teve, com Luiz Inácio Lula da Silva, postura semelhante aos boatos sobre a distribuição de terra - nesse caso a excomunhão deveria ser do país. Muita gente que se escondia na sua hipocrisia, votou em Collor no segundo turno e o resultado já sabemos.
O Brasil parece ter evoluído em aspectos econômicos, mas definitivamente continua alguns séculos atrás nos valores morais sobre o direito a vida.
Os clérigos e pastores sérios devem se posicionar pela defesa da vida sem apelar para a discriminação contra as milhares de mães que não têm como sustentar seus filhos ou são vítimas de violência. Os chefes religiosos que querem tirar proveito de um tema tão sério são corruptores de valores e provavelmente vivem comentendo adultérios nos intervalos dos cultos ou pedofilia em sacristias.
D. José deve está feliz em ver que sua hipocrisia reina no debate presidencial. Os "dilmistas" estão tentando retribuir os ataques tucanos com o mesmo veneno - mostrar que são eles que defendem o aborto e não a Dilma. Tornam-se hipócritas, tanto quanto.
Os defensores do regime militar estão revivendo os anos dourados em que mulher usar pílula era eresia e defender liberdade de expressão e democracia eram coisas de "comunista endemoniado".
O debate que está em curso faz parte de um conjunto de ideologias que discriminam e segregam pessoas. Hitler, soube muito bem aproveitar tais preconceitos e intolerância iniciando uma perseguição cruel, com o consequente extermínio de milhões de seres humanos.
O preço pago pelo retorno a idade média será o retrocesso político e econômico, mas o pior é que será, também, um retrocesso cultural e abrirá caminho para campanhas fascistas, que poderão ter consequencias irremediáveis.
1939 (início da segunda guerra e perseguição aos judeus) e 1968 (início dos anos de chumbo) precisam ficar para trás, sob pena de não mais reencontrarmo-nos enquanto nação democrática.
Não é suficiente a bestialidade dos skinheads que perseguem nordestinos? Daremos o aval a criação de milícias caçadoras de bruxas do século 21?
A favor da vida e da liberdade, pois o país é constitucionalmente laico e democrático.
